Para especialista, da tarifa de congestionamento não atingirá esse objetivo

Uma das novidades do projeto do transporte coletivo de Porto Alegre é o que a prefeitura chama de tarifa de congestionamento. A medida consiste em cobrar uma taxa equivalente ao valor de uma passagem de ônibus de veículos emplacados fora do Município que ingressem na cidade.

Entre os objetivos que consta na redação do projeto (PLCE 01/2020) está a “melhora na fluidez do tráfego urbano, evitando excessivos engarrafamentos” e “elevação na qualidade do ar e efetivação do desenvolvimento sustentável”. 

Para o arquiteto e urbanista Anthony Ling, fundador e editor do site Caos Planejado, a proposta não atinge esse objetivo. Os lugares citados como modelo pela prefeitura por adotar esse modelo, como Londres e Singapura, taxam todos os veículos, uma vez que todos contribuem com o congestionamento de trânsito. A proposta que tramita em Porto Alegre, não.

“Qual a diferença do carro particular, o carro de aplicativo e o carro de fora de Porto Alegre? Nenhuma. Então, escolher (taxar) aplicativo e carro de fora de Porto Alegre é arbitrário”, avalia. “(Outras) cidades implementam modelo não para arrecadar, mas para diminuir o congestionamento”, explica.

No Brasil, nenhuma cidade cobra pelo veículo que contribui para gerar congestionamento. A ideia enfrenta muita resistência da população, “apesar de extremamente eficiente, positiva e justa” na opinião de Ling.

Proposta cria taxa para carros entrarem na cidade. Foto: Luciano Lanes/PMPA
Ele cita o exemplo de Estocolmo, onde também havia resistência. Lá, a opção foi por implantar a cobrança da tarifa por um período de teste, em 2006, para alguns meses depois consultar a população sobre sua continuidade. Com aprovação popular, a medida segue em vigor até hoje.



pensar a cidade é um projeto independente e expressa o interesse que a jornalista Bruna Fernanda Suptitz tem por temas relacionados à cidade e a vontade de fazê-los chegar a mais pessoas por meio do jornalismo

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